O que os chineses querem?

No dia 1º de Outubro de 2020, fomos acordados com mais um barulho de sotaque chinês. Quem nunca comprou um produtinho Made in China? Até aí tudo bem, mas andaram chegando outras coisinhas junto dos produtinhos, e que por sinal eram sementes. Olha que curioso!!!


Quintal Urbano é lugar de conhecimento sempre, por isso, aqui, muitas perguntas terão respostas, pois somos uma empresa com propósitos e um deles é expandir educação. Temos especialistas capazes de solucionar alguns problemas, mas tem alguns que precisamos conversar um pouquinho mais a respeito.


Viviiii, recebi sementes da China, e agora? Calma aí. Eu sei que vocês, assim como eu amamos plantar, queremos colher e com certeza, vamos comer. Mas o termo segurança alimentar começa no campo, começa na SEMENTE. Por isso, primeira regra: Recebeu sementes da China? Não plante!!!

Vamos começar por partes!


Em todos os países do mundo, existe um controle de entrada e saída de pessoas, chamado imigração. Para produtos, seja qualquer deles, tudo que sai e entra de um país também existe uma regra de entrada e saída. Para produtos biológicos mais ainda, ou seja, plantas, sementes, bulbos, carga animal, grãos, laticínios, insetos, e até alimentos industrializados, todos precisam de uma

INSPEÇÃO SANITÁRIA.


Ou vocês nunca viram aquele carimbo azul, que antigamente vinha na carne, e que agora evoluiu para código de barras e até QR code chamado SIF?

Selo de Inspeção Federal.

Isso significa, que aquele produto está dentro da lei e foi passado pela inspeção de um profissional que está capacitado a detectar possíveis problemas na carga. Estando tudo ok, dentro das condições de higiene e sanidade, que vão garantir a segurança alimentar e ambiental do local e das pessoas, está autorizado pelo órgão fiscalizador.



No Brasil, o encarregado pelo SIF é o Ministério da Agricultura e podemos observar esse selo em produtos como mel, carnes, leites, sucos, produtos orgânicos, sementes, ou seja, tanto produtos de origem animal, quanto vegetal. Cada país tem seu SIF.






E por que isso existe? Porque senão existisse, ía virar a casa da Mãe Joana. O que acontece em um ambiente onde não há higiene? Proliferação de microorganismos certo? Experimenta deixar por semanas algo na geladeira. O que acontece? Mofa, cria bactérias, fica fedorento e dá dor de barriguinha nos casos mais leves.


Com as plantas acontece o mesmo. Aí, entendam plantas, como sementes e bulbos também. Dentro deles, existe umidade, e sempre que há umidade pode haver microorganismos. Quantos microorganismos existem no mundo? Seeeei lá... Até o ano passado o COVID-19 não existia, e olha o estrago que fez! Quem lembra de um período da história da Europa chamado " A Grande Fome", em 1845, onde 25% da população da Irlanda foi reduzida, por fome e doenças. Sabe qual foi a causa? Um fungo chamado Phytophthora infestans, que ataca plantações de batata com uma violência tão grande, que dizimou praticamente todos os cultivos de batata da Europa. A batata na Irlanda é como a soja no Brasil, praticamente uma comodite, sempre foi. E com essa devastação, não havia o que colher, não havia o que vender e com isso não havia o que comer. Falta de alimento traz doenças e 25% da população acabou morrendo por isso. Ahhh, Vivi, mas isso faz taaaanto tempo. Já nem é mais assim.

Ta bom, em 2003, no Brasil, foi identificada uma doença nos citros (laranja, tangerinas, limôes, e limas) que ainda não tinha ocorrido por aqui. O Greening. Causado por uma bactéria Candidatus Liberibacter asiaticus, de origem chinesa (Olha que curioso)... causa uma doença SEM CURA nos pomares de citros. Em 2004, pomares comerciais gigantescos localizados em São Paulo e Minas Gerais tiveram que ser dizimados, causando prejuízos incontáveis, devido a presença de um microorganismo que chegou no Brasil, sabe lá por meio de onde... Muito provável por mudas ou sementes contaminadas.


Histórias à parte, o que acontece é que Controle Sanitário é importante para a saúde e economia de qualquer país. O Ministério da Agricultura exerce um excelente trabalho nessa área, e como experiência eu tive a oportunidade de trabalhar por 12 meses num projeto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul vinculado com o Ministério da Agricultura, o WIKI-PRAGAS. Um informativo, baseado em catalogação de fichas com informações sobre pragas e doenças de plantas que ainda não existem no Brasil. Esses relatórios eram encaminhados para um setor interno do Ministério localizado nos aeroportos de todo Brasil.


Quem viaja sabe, que ter um escritório da Polícia Federal em todo aeroporto é muito comum. Mas vocês já perceberam que existe um escritório do Ministério da Agricultura também? Pois é. Justamente para controlar esse tipo de produto, fiscalizar e apreender produtos que legalmente não podem entrar. E as fichas desse projeto estão lá para auxiliar os técnicos a identificar algo que pareça estranho aos seus olhos. Caso, um produto seja apreendido contaminado, são coletadas amostras e analisadas em laboratório. Essas sementes que estão chegando da China e passando desapercebidas pelas máquinas de Raio X e alcançando os lares dos brasileiros que por desinformação podem se sentir lisonjeados e sair plantando os presentinhos enviados juntos das mercadorias compradas via site chinês, podem conter microorganismos devastadores de lavouras e pomares, podem conter vírus que causam doenças em humanos e ainda podem conter defensivos de sementes com produtos que não são permitidos o seu uso no Brasil. Mas, por outro lado, podem ser só sementes e uma "jogada de marketing" das próprias empresas chinesas, que estão lutando cada vez mais por espaço e boas avaliações.


Masssss, acho que devemos ficar de olhos beeem abertos, com essa turma de olhos fechados. Eu já estive na China por 26 horas numa conexão, quando eu fiz uma viagem para o Japão. Geralmente, quando eu viajo eu estudo muuuito o país. Eu estudei muito o Japão, até porque é uma cultura totalmente nova e eu não poderia chegar lá fazendo feio, já que eu ía estudar, trabalhar, aprender e fazer turismo por lá. Mas antes de chegar lá, passei pela CHINA. Achei que seria normal. Hahahaha.


O setor de imigração na China parece uma área militar, com controle de temperatura, coleta de digitais e microfoto da íris do teu olho. Todas as placas de informações são escritas no alfabeto chinês. Todas as pessoas que te atendem não falam inglês (De propósito, obviamente), no avião, as revistas e cardápios são todos em chinês. Ahhh, mas a gente coloca no Google e tudo se resolve. Vamos pegar um trem e vamos pro centro, vamos conhecer Shangai. Hahahahaahhahaha, coitadinha da Vivi. Naquele momento eu percebi o quanto eu era inocente, e o quanto os chineses não estão no planeta para brincar. Vejam essas fotos. São minhas!




Todas as mídias, que estamos acostumados, Instagram, Facebook, Youtube, Google, Google maps, Whatsup, nada funcionava na China. Dava tela branca, ou tela preta dizendo que eu não tinha autorização de uso. O pedido de comida era na sorte, olhando a foto. O comando de chamada do avião era em chinês. Logo, não pude conhecer Shangai, fiquei sentada por 26 horas, sem entender nada do aquele povo falava, nada do que estava escrito nem no meu visto temporário. Pois sim, até para conexão tem que ter visto temporário. Então, meus amigos, cuidemos com o que vem de lá, pois o que vai pra lá é muuuuito bem inspecionado, e cair na fiscalização chinesa não deve ser uma boa experiência de vida!


Meu conselho? Não plantem as sementes chinesas. Encaminhem para os órgãos de fiscalização da sua cidade, ou se ficar muito difícil o acesso, entreguem para a polícia brasileira. Eles saberão o que fazer.


Se quiserem sementes, ou mudas de qualidade contem com o Quintal Urbano. Toda quarta-feira eu faço as inspeções do que entra e do que sai do Quintal para que nada de ruim chegue na tua casa. Se a gente tem o Quintal Urbano, por que precisaremos da China?


Drª Vivi Pretz

Engenheira Agrônoma

Sócia e Diretora Agro-Educacional do Quintal Urbano

Drª em Sanidade Vegetal

Especialista em Hortas Orgânicas












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